domingo, 9 de setembro de 2007

Maré

Os olhos bóiam na superfície do mar,
Esquadrinham tudo a volta,
E tudo a volta é mar.

Tanto mar,
E a maré ou enche ou esvazia.
O segredo é o tamanho das ondas e suas durações.

Os olhos testemunham o movimento da maré:
Avanço ou recuo indistinguíveis
Num mundo sem medições.

O mar é tanto
Que cala no fundo
O mote do acalanto.

2 comentários:

Lune disse...

Muito bom poema , gostei da forma como descreveu a maré..

abraços

Raiça Bomfim disse...

"...
Avanço ou recuo indistinguíveis
Num mundo sem medições
..."

Sim, é tanto e por toda parte. E o que cala, o que acalanta, é assim: sem mediação, apesar das marés e no embalo delas.

Um marbraço pá tu, neguinho.